Publicado por: Malhado | 24-10-2010

Deuses e criação

Quando as pessoas começam a estudar o Druidismo elas rapidamente correm atrás de um mito de criação e de saber quão altos na “cadeia criacional” do universo Eles estão. Basta dizer que, sendo Eles o o próprio universo em todas as suas facetas e desdobramentos, a maioria das quais sequer sonhamos, nossos Deuses não controlam a natureza, pois Eles são a própria natureza e ela, como manifestação perceptível Deles, é apenas Seu pálido reflexo, e não sua imagem. Eles não simplesmente criam ou destroem a matéria como se fosse algo externo. Ao promover mudanças em Si mesmos, transformam-Se e realizam Sua dança, numa perfeita interação da qual resultam as energias como as conhecemos, tornando possível que o ciclo da vida como o conhecemos prossiga e a teia dos eventos se mantenha.

No Druidismo não existe essa busca tão forte pelo “de onde viemos” através da liturgia, pois apesar dessa informação ser importante para analisarmos nossos passos anteriores ou os do universo em si, ela é bem cumprida pela ciência e excelentemente complementada pela sabedoria das nossas histórias e lendas. Não se sabe se em algum momento houve um mito da criação em alguma sociedade celta, e se por uma lado talvez fosse interessante encontrar algum pois eles costumam ser lindos, por outro o foco da nossa fé sempre esteve mais voltado ao estudo e à vivência momento atual, pois a mudança é a única constante da vida, e o motivo dos antigos Druidas não escreverem era justamente para não engessar esse processo.

A busca pelo entendimento da criação não termina em algo que nos contam. Ela começa e se justifica naquilo que fazemos e naqueles que honramos em nossa passagem por esta vida. Mais importante que uma bela história ou uma lenda que nos faça perder o fôlego de emoção é cuidar dos que vêm depois de nós e honrar quem veio antes mostrando-nos o caminho, pois esse também será o nosso legado e estará escrito desde os passos de onde viemos e até a última pegada que deixemos. Estará nas lutas em defesa do solo no qual agora pisamos e no quanto a consigamos estendê-las, auxiliando outros em suas batalhas e somando forças à nossa comunidade ou mesmo a pessoas de raças, cores, etnias, credos, culturas e locais os mais diversos, moldando o futuro enquanto semeamos consciência. A compreensão virá com o tempo, à medida em que realmente entendermos o que é não haver separação entre os Deuses e o que eles criam, nem distância entre nós e Eles, apenas comunhão. Então seremos um com Eles, pois Deles somos parte, somos filhos, somos criaturas, somos Suas pegadas e Sua criação, e somos instrumentos através dos quais eles se manifestam.

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