Publicado por: Malhado | 01-05-2011

Após o fim da jornada

Nos últimos tempos a vida havia sido dura, e ele sentia o peso dos anos e das preocupações mais do que achava poder suportar. Mas não bastassem as pequenas chateações daquele dia, aquele vizinho chato que sempre procurava implicar por algum motivo fútil apenas para persegui-lo por acreditar em Deuses diferentes o veio importunar novamente. Em qualquer lugar esse tipo de coisa acontece, mas aquele havia sido um dia particularmente cansativo e ele acabou sendo rude. Suspirou.

Abriu o portão de casa e olhou para o céu que procurava alegrá-lo com sua pálida beleza. Colheu alguns temperos na varanda da casa antes de entrar e agradeceu ao pé de manjericão pela gentileza de ceder suas folhas enquanto as afagava. Era sua terapia, aquele jardim que antigamente achava que jamais conseguiria cuidar, mas como tudo muda, ele também aprendeu que poderia mudar. Sorriu ao lembrar-se disso.

Preparou seu jantar com capricho e o comeu no silêncio da sua casa solitária, lembrando dos anos dedicados a tantas ações ambientais que infelizmente não tiveram o sucesso que seria preciso. Ver o mundo devastado pela ação da humanidade corroía suas entranhas, mas este era o momento deles dois, e comeu observando o antigo e pequeno prato de prata, com um punhado mínimo de comida servido e um pequeno cálice de vinho. Levantou sua taça num brinde e falou baixinho algumas palavras que apenas os dois saberiam a verdadeira profundidade.

Desde o início da sua adolescência, ainda na virada do século, dedicara sua vida a ajudar os outros como pudesse, mas sempre teve que lutar uma batalha a mais para atingir suas metas por causa da sua fé e daquela desunião que marcou sua juventude. Lembrou de quando era jovem e podia ajudar animais abandonados e auxiliar uma creche com o pouco dinheiro que lhe sobrava, e depois de quando se engajou na luta ambiental e em ações de conscientização e cidadania. Nunca quis liderar ninguém ou abraçar o sacerdócio, mas apenas fazer sua parte e servir aos Deuses como pudesse, vivendo como um druidista como tantos outros, honrando a Eles das mais diversas formas e fazendo de suas vidas simples verdadeiros testemunhos. Procurava apoiar seus sacerdotes nos eventos que promoviam sempre que podia, e talvez por isso tudo fosse tão respeitado pelos mais jovens. Mas hoje o cansaço estava grande, pois nesse dia ele sempre se lembrava dela.

Abriu a geladeira e pegou uma maçã. A luz da Deusa Lua brilhou sobre ela e ele compreendeu o pedido das fadas. Colocou um chá em infusão, pegou outra maçã para colocar no altar a elas dedicado, tirou um pedaço da própria maçã para colocar no prato reservado aos seus antepassados em sinal de respeito, então voltou à cozinha para pegar o chá. Em seguida foi para sua poltrona ler um pouco antes de dormir.

Em uma semana ele faria 93 anos, mas não mais havia com quem celebrar a passagem dos invernos. Existiam os jovens que o pediam conselhos, sim, mas quase todos os que lhe eram caros já haviam partido para a Terra do Verão Eterno, e afora um amigo Druida e uma ou outra pessoa que conhecia há décadas apenas no mundo virtual, não restava ninguém desde a morte de sua amada, há dez anos. Sentiu sua garganta apertar enquanto brincava com a aliança em seu dedo e pensou se a encontraria do outro lado quando chegasse sua hora, enquanto uma lágrima escorreu até a caneca já vazia em seu colo e outra pousou na tela do seu computador de bolso, onde guardava seus livros digitais do momento.

Dobrou o aparelho e o colocou sobre a placa de energia para recarregar, levantou-se, deixou a caneca na cozinha e em seguida foi até seu altar. Tocou primeiro as imagens dos seus Deuses, depois a das fadas, a foto de seus pais, o pingente da coleira de seu antigo amigo e por fim a foto dela, impressa e emoldurada ao lado do “livro de verdade”, como ela costumava dizer. Orgulhou-se de ter tantas coisas que amava representadas num lugar tão especial. “Um assento elevado”, como o Bardo dizia sempre que via seu altar ao visitar sua casa.

– “Feliz aniversário de casamento, meu amor”, ele falou baixinho, e caminhou até seu quarto, o coração doendo de tristeza e saudade. Mas logo após passar pela porta sentiu que a dor estava mais forte que um sentimento, enquanto uma fraqueza o dominava e a consciência esvanecia ao mesmo tempo em que a forte pontada de dor atravessou seu cérebro. Tudo ficou escuro e, de repente, estava flutuando e observando seu corpo inerte no chão, estirado ao lado da sua cama.

Sua vida passou num piscar de olhos em sua mente. As delícias e dores de uma imensa aventura, e logo não conseguia se lembrar de dor alguma. As imagens ficavam cada vez mais claras até que a luz o cegou e sentiu seus pés firmarem no solo.

*

Estava descalço, vestido como no dia em que fizeram o piquenique onde a pediu em casamento. O solo à sua volta era seco e estéril, destruído pelo fogo há algum tempo. Lanças negras formadas pelos troncos de carvão erguiam-se do solo, e o céu escuro e cinzento o fez pensar por um instante que talvez estivesse enganado sobre as belezas do “Outro Mundo”, por fim. Ouviu o piado do corvo ao longe, na direção do único caminho a partir de onde ele estava, e seguiu naquela direção.

Caminhou por algumas horas até ver os sinais de destruição darem lugar a pequenos lampejos de vida nas árvores desfolhadas, mas definitivamente vivas, que começaram a aparecer pelo que finalmente poderia ser reconhecido como uma trilha, agora iluminada pela luz do dia, e que aos poucos transformava-se de cinzas sobre solo batido e poeira em uma estrada de chão e mato. Andou por mais um tempo até avistar à frente riacho com uma ponte de madeira que o cruzava, e ali viu os primeiros animais. Num reflexo testou seu pulso e só então percebeu não sentir nem calor, nem frio, nem pulsação. Só uma sensação inexplicavelmente agradável de conforto.

Esperou o pânico tomar conta, mas ele não veio. Apenas tinha certeza de que estava morto e, estranhamente, em paz. Esfregou as mãos nervosamente sem saber o que fazer e percebeu que estava sem a sua aliança. Procurou a aliança dela em seu pescoço e o cordão tinha sumido também. Voltou um tempo, procurando inutilmente na roupa e pelo chão por um tempo até resignar-se em não estar com ela. Havia perdido suas alianças.

Um imenso vazio preencheu sua alma e as gotas de uma leve garoa choraram com ele nesse instante. Sentiu o desespero que chegou suave ir-se na certeza de que não poderia ficar parado ali, e então tomou coragem, secou as lágrimas e a chuva de seu rosto e foi quando olhou pela primeira vez suas mãos sem o símbolo do seu amor em tantas décadas.

Olhou atônito para aqueles dedos jovens e sem rugas como eram quando ainda nem a conhecia. Tocou mais uma vez sua face sem reconhecer-se e disparou em direção ao riacho que deixara lá à frente antes de voltar tanto no caminho, e correu como não conseguia fazer há décadas até chegar à beira da água, mas ela agitada e não o permitia ver o próprio reflexo com clareza. Com certeza estava jovem novamente, e pegou a água entre as mãos para tentar se observar. Neste momento sentiu um calor na pele enquanto um raio de Sol afagava sua pele por entre as nuvens que se dissipavam rapidamente após a chuva. O céu estava abrindo, e uma revoada de centenas de andorinhas passou no céu. Sorriu como há tempos não sorria! Levantou-se confiante e atravessou a ponte.

O caminho ali era mais agradável, como relva baixa ladeada por pequenas flores e ervas que muitos chamariam de daninhas sem ter consciência de sua verdadeira utilidade, formando um caminho nítido junto com as árvores que estavam à borda do bosque de modo a guiá-lo para dentro num caminho indescritivelmente lindo e claro. Antes de andar, ouviu um barulho na água e virou-se a tempo de ver o salmão mergulhar e seguir seu caminho, deixando gotas douradas pelo sol voando onde ele estivera. Sorriu mais uma vez e continuou, abismado com a beleza das plantas, depois das borboletas e mais adiante das aves que apareciam.

Lembrou dela e de como ela gostaria de ver esse lugar e seu sorriso sumiu. Ela não estava ali para encontrá-lo como prometera, e por mais lindo que aquele lugar fosse, ele estava só. Um forte piado soou acima de sua cabeça, e a imensa coruja branca com enormes olhos azuis o encarava serena. Levantou voo calmamente e foi até uma árvore mais à frente, onde parou e piou novamente demonstrando impaciência. Ele entendeu que deveria segui-la, pois os sabia que animais daquela cor eram mensageiros dos Deuses, e a acompanhou quando ela adentrou o bosque, abandonando o caminho sem titubear.

Corria o mais rápido que podia, mas a coruja era muito hábil e muito rápida para se seguir por muito tempo, e depois de algum tempo ela desapareceu por entre as árvores e ele não mais a via ou escutava. Correu por mais algum tempo até sentir que não mais a veria, e apoiou-se com uma mão numa árvore para pensar no que fazer. Não fazia ideia de como voltar ao caminho.

Quando olhou em volta viu que a árvore era uma macieira carregada. Tocou mais uma vez em seu tronco, agora com reverência e respeito, seu gesto pedindo permissão para pegar uma das frutas, e colheu uma maçã verde. Mordeu o primeiro pedaço com cuidado e o tirou da boca, depositando aos pés da árvore em agradecimento. O sabor daquela maçã superava em muito o de todas as maçãs que comera na vida inteira, e isso apaziguou seu coração mais uma vez. Em meio àquele silêncio, escutou o barulho de água e foi naquela direção.

Não demorou muito e encontrou um lago de águas tranquilas, onde logo pôde matar sua curiosidade e rever sua face jovem novamente. O sorriso voltou a brilhar em sua face quando um peixe pulou no lago jogando água em sua direção. Aquele sim era um salmão enorme! Olhou para o lado e uma aveleira estava ao seu lado, frutos enfeitando o chão. Foi até seus pés, pegou três avelãs e as guardou no bolso pedindo sabedoria para compreender como continuar em sua jornada, e tocou o tronco da árvore em agradecimento. Pensou em dizer uma bênção, mas um brilho ao longe chamou sua atenção. À frente, numa pedra à margem do lago que só agora percebia ser imenso, haviam alguns objetos.

Pegou uma das avelãs e jogou na direção de onde o salmão deveria estar, e ele pegou a fruta assim que ela tocou a água. Dirigiu-se até o brilho e ficou ali, parado e em choque com o que via. Seu antigo par de sapatos de couro, as meias colocadas dentro de cada pé como se ele os tivesse tirado naquele local, tinham fivelas prateadas que reluziam o sol de um céu já claro e exuberante, e ao lado estava o presente de pedido de casamento que ele havia dado a sua amada: o “livro de verdade”, como que saído da editora direto para cima daquela pedra. Pensou em limpar-se antes de tocar no livro, depois de tanta correria, mas nem sua roupa nem suas mãos tinham qualquer grão de sujeira. Pegou o livro e o abriu procurando a dedicatória, e então leu a sua própria caligrafia dizendo:

“Aceite este presente como prova do sentimento
que tenho por você, meu amor, e que essas palavras
iluminem até a mais escura das suas noites”

Antes que pudesse absorver o choque e a dor daquelas palavras escritas já mais de 60 anos atrás, escutou o som de cascos se aproximarem. Fechou o livro e o protegeu como quem protege um bebê recém nascido, enquanto o belo cavalo branco de pelos prateados como a própria Lua se aproximava. Quando parou, olhou para os sapatos e soltou o ar pelas narinas, como que num ultimato. Verificou seus pés para limpá-los e nenhuma sujeira neles também. É como se ele não estivesse pisando no chão… alguma alucinação do pós-vida ou alguma outra explicação que sinceramente não tinha cabeça para tentar encontrar, e imediatamente calçou os sapatos, segurou o livro e aproximou-se do cavalo esperando para segui-lo.

O olhar do animal e o sinal para suas costas o fizeram entender que ele não iria correr desta vez. Ele acariciou o animal, subiu em seu torso nu, sussurrou um “muito agradecido” e agarrou-se à sua crina enquanto o bicho corria mais rápido que o próprio vento bosque adentro. Lampejos de outros animais, fadas as mais diversas e seres indescritíveis apareciam pelos cantos dos seus olhos, mas ele mantinha a concentração tanto para não desequilibrar quanto para não deixar cair o precioso livro.

O bosque parecia interminável, mas finalmente chegaram à beira de uma clareira, onde o cavalo parou e ele desceu. Por detrás deles ouviu-se um barulho e ao virar-se um enorme cervo branco de olhos a cor do Sol o observava de perto, quase ao alcance das mãos. Ao seu lado um homem alto com um enorme torque dourado no pescoço e outro na mão, como qual brincava tranquilamente, sorria enquanto o jovem já não conseguia disfarçar o olhar para as enormes galhadas que saiam de sua cabeça. Era, com certeza, Cernunos!

– Eu quis ser o primeiro a recebê-lo, meu filho. Queria caminhar ao seu lado um pouco, só nós dois – disse Ele com uma voz suave que se expandia por todo o bosque.

– Então eu estou morto, mesmo?

– Não. Você, na verdade, acaba de nascer. Venha! Agora que você chegou até nós, vamos caminhar um pouco.

Entraram os três na clareira e caminharam um tempo em silêncio, o jovem lembrando das alianças que já não estavam com ele como que esperando por um novo milagre como o dos sapatos. Do outro lado havia o que deveria ser a continuação daquele caminho, mas feito dos imensos carvalhos que entrelaçavam seus galhos por sobre a estrada. Pararam no meio do descampado por algum tempo e conversaram sobre os tempos de ativismo ambiental até que por fim o Deus lhe disse:

– A gratidão é algo tão importante quanto o respeito, e Eu quero agradecer pelo cuidado e pelo respeito que você demonstrou na sua vida, assim como por tudo o que fez enquanto estava no Outro Mundo, mas há alguns aqui que gostariam de recebê-lo também para agradecer antes de prosseguirmos. Olhe à sua volta.

As árvores balançavam, e à margem do bosque centenas de animais, alguns deles ele reconhecia da sua juventude, olhavam de longe, alguns solenemente e outros com visível alegria, num gesto que ele sentiu como um abraço. De súbito viu ao longe viu um cachorro marrom disparar em sua direção. Era o Tufo! Aquele vira-lata que ele seguira na chuva e que o seguira de volta até em casa, onde um acolheu o outro. Foi por causa daquele cão que toda a sua luta em prol de animais abandonados começou! Ah, como ele adorava o Tufo! Lembrou como foi triste quando ele morreu em seus braços por causa da carne envenenada que algum vizinho colocou dentro de seu quintal, enquanto olhada o pingente balançando na coleira enquanto ele corria.

Tufo chegou fazendo festa e lambeu-lhe as mãos e a face com amor enquanto eles se abraçavam e as lágrimas corriam livres junto com risos e gritos de felicidade! Alguns segundos depois ele conseguiu olhar em volta e estavam só os dois ali. Entendeu a deixa e chamou seu amigo para uma corrida até a estrada de carvalhos, onde avistou uma moça belíssima num vestido branco e vermelho e longos cabelos ruivos aloirados em uma trança que chegava à sua cintura sentada num tronco caído.

Foram até ela como crianças, a imagem da mulher embaçando sua vista até que finalmente se aproximaram o suficiente para vê-la pegar uma harpa e começar a dedilhá-la. Quando ele ia abrir a boca Ela se levantou e tocou sua face, o toque quente da ponta de Seus dedos evaporando suas lágrimas sem queimá-lo.

– Assim está melhor – Ela falava enquanto fazia brotar água da outra mão e limpava-lhe o rosto. O tempo das dificuldades passou, meu filho, e agora é hora de caminhar para sua nova morada até que chegue o tempo de voltar àquele outro mundo novamente.

Ela sentou tocou três músicas enquanto recitava poemas de boas vindas. Depois sorriu e levantou-Se novamente. Ele olhava para Brigit de pé, como estava desde que chegou, e sorria enquanto Ela afagava o cachorro falava palavras na língua antiga que ele claramente entendeu. Então Ela pegou sua mão e os três seguiram pela estrada de carvalhos.

Conversaram das coisas que ele havia feito naquela vida que honraram os Deuses até chegarem perto de um ponto onde a estrada se fechava e acabava numa parede de ervas, arbustos e trepadeiras. Ela disse “vá”, e ele foi até a parede. Após alguns passos virou-se e Ela já não estava mais ali.

O som dos galhos e cipós grossos entrecortou a floresta, numa dança que por fim revelou a face Do Green Man, e Ele então falou:

– Eu observei seu caminho desde o começo. Observei sua reverência e seu respeito por Nós, e fico muito feliz que esteja conosco. Seja bem-vindo mais uma vez. Sentimos sua falta em Nosso bosque.

A face se desfez e em seu lugar um enorme portal se abriu, revelando o caminho de entrada para o local onde Deuses, heróis, fadas e todos os seus queridos estavam festejando. Fogueiras, à volta das quais Bardos contavam suas histórias e teciam músicas sobre fatos de sua vida, mesas nas quais serviam um farto banquete e todos estavam felizes. O sol agora se punha, e ele havia chegado em casa, finalmente. Tufo saiu correndo e transbordando felicidade ao juntar-se à festa.

Muitos o cumprimentavam, mas seu olhos perscrutavam em busca de apenas uma face. Deu um forte abraço em seu pai, beijou as mãos de sua mãe, reviu seus amigos e recebeu de sua avó um prato de comida que ele passou a carregar enquanto olhava em volta. Foi quando dedos ongos tocaram seu ombro e detrás de si ouviu uma voz que dizia:

– Você sempre foi muito enrolado. Não sei como durou dez anos sem mim…

Seu rosto iluminou ao virar-se e ver a face jovem de sua amada, vestida como naquele dia e com a cesta de piquenique na mão. Ela estava iluminada! Pegou a cesta com uma mão e estendeu o livro com a outra.

– Acho que isso é seu – disse com um largo sorriso.

– Nossa, como eu tinha saudades desse livro! Obrigada, meu amor!

– Não sei aonde está minha aliança…

– Nem eu… então ou teremos que nos casar de novo aqui ou nascer de novo só para nos casarmos mais uma vez. O pessoal estava falando aqui que seria a terceira vez, e o três é sagrado…

– Vamos ver. Passei temo demais sem você para pensar em cerimônias, agora.

– Você nunca esteve sem mim só porque não podia me enxergar ou tocar, seu bobo. Nós nunca nos separamos. Venha! Quero ver se acho uma avelã. Vou fazer um feitiço para nos orientar se é mais sábio nos casarmos aqui logo ou renascer no Outro Mundo. Afinal, você acabou de voltar e pode querer ficar por aqui algumas décadas antes de encarar toda aquela luta de novo, não é?

– Está bem, apressada. Mas não precisamos caminhar. Eu peguei algumas avelãs no caminho e podemos usá-las.

Ele tirou as avelãs do bolso e viu suas duas alianças, cada uma incrustada numa noz. Foi então que sentiu seu coração voltar a bater e a suave brisa o inebriar com o perfume da sua amada, e ele a beijou como dia em que se casaram.

Alexandre Malhado

Mais que explicar os festivais, achei que seria interessante que todos o pudessem compreender do que eles falam para assim vivenciá-los um pouco melhor. Feliz Samônios para todos, e que seus entes queridos, estejam eles neste ou no Outro Mundo, sintam-se horados e reverenciados pelas suas ações, e espero que seus passos sejam um testemunho de Inspiração, relatando uma nobre existência inspirada do por tudo o que eles deixaram, seja através nos relatos das suas virtudes, seja no aprendizado advindo dos seus defeitos.

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Responses

  1. incrivel, poucos entendem como nos o que ta escrito ali

  2. Muito belo conto, senhor Malhado! Parabéns! Ave Merlin!

  3. Maravilhoso, surpreendente e extremamente emocionante. Nunca li um relato tão puro e extraordinariamente belo e delicado. Feliz Samônios!!!

  4. Tão perfeito…

  5. Lindo, simplesmente lindo!
    Não há palavras para descrever o que nos fala ao coração… Obrigada por escrever =)
    Que sua jornada continue iluminada!
    Abraços


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