Publicado por: Malhado | 18-11-2013

Conversa com árvores

As pessoas esqueceram como conversar com as árvores, mas não porque não as escutem mais ou não se importem mais com elas. É pior, pois elas não conseguem mais enxergá-las, e isso não é apenas por tê-las cortado e plantado concreto ou asfalto em seu lugar. Quando olham para onde uma árvore está enxergam apenas madeira, folhas e talvez um mural onde podem carvar seus nomes com um canivete ou um local onde um pássaro chato fez seu ninho para incomodar os humanos.

É mais grave pelo fato delas hoje tentarem se afastar o máximo possível de si em busca de dinheiro, luxo status e modelos de beleza e comportamento sobre os quais não refletem de onde surgiram ou qual o seu verdadeiro propósito, e fazendo isso construíram muros que as afastam cada vez mais do que esteja à sua volta. Ao invés de cultivar-se, ceifam suas essências e constroem fortalezas de plástico e ilusões nas quais passam a habitar.

E é muito mais grave pois não percebem que aquilo que veem como castelos são na verdade jaulas que as aprisionam e as afastam ainda mais umas das outras. Desta forma, enquanto celebram estarem mais conectadas aos outros e mais informadas sobre o mundo, elas não compreendem que já não enxergam ou conhecem mais esse mundo e que na verdade estão enxergando as ilusões que o outro mostra e as ilusões que elas se tornaram, e lentamente sufocam e murcham, sucumbindo às ilusões que criam para não ter o trabalho de cultivar a própria alma.

Elas não se escutam mais pois esqueceram como conversar e nem se importam mais consigo, não sabem mais falar a língua do próprio coração e não entendem quem são ou o que poderiam tornar-se, e ao invés de serem belas árvores são agora mausoléus distorcidos de materiais tóxicos, fincados num deserto que sequer sabem que existe.
Não sabem mais conversar com as árvores, nem com o rio, nem com a rocha ou o vento pois estão preocupadas demais em escutar algo que não está nelas mesmas, mas fora, e estão espiritualmente cegas para o que o mundo realmente é.

Para o pequeno Artur que ainda
conversa com as árvores e que
existe dentro de cada um de nós!

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Responses

  1. Sabe, recentemente perguntei ao meu pequeno Artur por que é que ele gostava tanto de algumas árvores. Seria por aquelas árvores serem especiais, mágicas? E ele olhou para mim com verdadeiro espanto e perguntou-me se havia árvores que não fossem mágicas. Parecia mesmo confundido. Abracei-o e disse-lhe que não, não havia nenhuma árvore que não fosse mágica.

    Já agora, se me permite, deixo um link para um texto que gostaria de partilhar consigo.

    http://peregrinar.blogspot.com/2010/07/espirito-do-carvalho-de-calvos.html

    Muito obrigada!


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