Publicado por: Malhado | 20-09-2014

O caldeirão da poesia

Em conversa com Mayra

 “Meu verdadeiro Caldeirão da Incubação,
ele foi tomado por Deus dos mistérios do abismo elemental,
uma decisão adequada que dignifica alguém a partir do seu centro,
que verte da boca uma correnteza terrível de palavras.

Sou Amhairghin Joelho-Branco,
pálido de substância, de cabelo cinzento,
concluindo minha incubação
em formas poéticas adequadas,
em cores diversas.

Deus não atribui a mesma porção a todos:
emborcado, virado de lado, com o lado certo para cima;
conhecimento nenhum, conhecimento pela metade, conhecimento completo.
Para Eber e Donn
a criação da poesia temível,
vastos, poderosos goles de encantamentos mortais
em voz ativa, no silêncio passivo, no equilíbrio neutro intermediário,
na construção apropriada da rima
desse modo narra o caminho e a função do meu caldeirão.

Canto o Caldeirão da Sabedoria
que concede o mérito de cada arte,
através do qual cresce o tesouro,
que engrandece cada artesão comum,
que constrói uma pessoa por meio do seu dom.

Onde está a raiz da poesia numa pessoa, no corpo ou na alma? Dizem que está na alma, pois o corpo nada faz sem a alma. Outros dizem que está no corpo, onde as artes são aprendidas, passadas através dos corpos de nossos ancestrais. Diz-se que essa é a sede do que permanece na raiz da poesia e o bom conhecimento na ancestralidade de cada pessoa não passa para todos, mas passa a cada outra pessoa.

Qual é então a raiz da poesia e de toda as outras formas de sabedoria? Não é difícil. Três caldeirões nascem em cada pessoa, isto é, o Caldeirão da Incubação, o Caldeirão do Movimento e o Caldeirão da Sabedoria.

O Caldeirão da Incubação (Coire goiriath) nasce virado para cima numa pessoa desde o começo. Distribui sabedoria às pessoas na sua juventude.

O Caldeirão do Movimento (Coire érmai), no entanto, aumenta depois de virar. Isso significa que ele nasce virado de lado numa pessoa.

O Caldeirão da Sabedoria (Coire sois) nasce sobre seus lábios (virado para baixo) e distribui sabedoria em cada arte, além da (em acréscimo à) poesia.

O Caldeirão do Movimento, então, está sobre seus lábios em cada outra pessoa, isto é, nas pessoas ignorantes. Está obliquamente virado em pessoas do ofício bárdico e outras de pequeno talento poético. Está virado para cima nos maiores dentre os poetas, que são poderosas torrentes de sabedoria. Por causa disso, não em todo poeta mediano está ele voltado para cima, pois o Caldeirão do Movimento deve ser virado pela tristeza ou pela alegria.

Pergunta: quantas são as divisões da tristeza que viram o caldeirão dos sábios? Não é difícil; quatro. Saudade, pesar, as tristezas do ciúme e a disciplina da peregrinação a lugares sagrados. É internamente que estas nascem, embora a causa venha do exterior.

Existem então duas divisões da alegria que viram o Caldeirão da Sabedoria, isto é, a alegria divina e a alegria humana.

Na alegria humana, existem quatro divisões entre os sábios. Intimidade sexual, a alegria da saúde e da prosperidade depois dos anos difíceis do estudo do ofício bárdico; a alegria da sabedoria depois da criação harmoniosa dos poemas e a alegria do adequado frenesi poético da trituração das claras nozes das nove aveleiras na Fonte de Segais no reino dos Sídhe. Elas se lançam em grandes quantidades como um rebanho de carneiros no leito do Boyne, movendo-se contra a correnteza mais rápidas do que cavalos de corrida no meio do ano no dia esplêndido a cada sete anos.

Deus toca uma pessoa por meio de alegrias divinas e humanas, de modo que seja capazes de pronunciar poemas proféticos e conferir a sabedoria e realizar milagres, bem como oferecer um julgamento sábio e dar precedentes e sabedoria em resposta aos desejos de todos. Mas a fonte dessas alegrias (Deus) está fora da pessoa, embora a verdadeira causa da alegria seja interna.

Canto o Caldeirão do Movimento,
graça compreensível,
conhecimento reunido,
fluente inspiração poética como o leite do peito,
é o auge da maré do conhecimento,
união de sábios,
correnteza de soberania,
glória dos humildes,
maestria das palavras,
rápido entendimento,
sátira enrubescedora,
artesão de histórias,
cuidando dos alunos,
procurando princípios obrigatórios,
distinguindo as complexidades da linguagem,
movendo-se rumo à música,
propagação da boa sabedoria,
nobreza enriquecedora,
enobrecendo os não-nobres,
exaltando os nomes,
relatando louvores
por meio do trabalho da lei,
comparação de dignidades,
a bebida nobre em que é fervida
a raiz verdadeira de todo conhecimento,
que entrega em razão do respeito,
que cresce em razão da diligência,
cujo êxtase poético põe em movimento,
cuja alegria vira,
que é revelado por meio da tristeza,
proteção que não diminui,
canto o Caldeirão do Movimento.

O que é esse movimento? Não é difícil; uma virada artística ou uma revirada artística ou viagem artística, isto é, concede a boa sabedoria e a nobreza e a honra depois de virar.

O Caldeirão do Movimento
concede, é concedido,
aumenta, é aumentado,
alimenta, é alimentado,
engrandece, é engrandecido,
invoca, é invocado,
canta, é cantado,
preserva, é preservado,
combina, é combinado,
sustenta, é sustentado.

Boa é a nascente do ritmo,
boa é a morada da fala,
boa é a confluência do poder
que edifica a força.

É maior do que cada domínio,
é melhor do que cada herança,
traz o homem ao conhecimento
ousando além da ignorância.”

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