Publicado por: Malhado | 26-02-2019

A trave nos teus olhos

No último domingo o Papa Francisco, chefe da Igreja Católica Apostólica Romana, decidiu comparar crimes de seus sacerdotes com o que chamou de “sacrifício de crianças” em “rituais pagãos”. Não sendo honrado o suficiente para assumir a responsabilidade de seus atos, o líder daquela instituição novamente recorre aos povos e crenças por eles ditas pagãs como bodes expiatórios, a fim de diminuir ante ao seu povo mais uma das atrocidades que fazem.

Eis a minha resposta a esse insulto.

1 Não julgueis, para que não sejais julgados. 2 Pois com o critério com que julgardes, sereis julgados; e com a medida que usardes para medir a outros, igualmente medirão a vós. 3 Por que reparas tu o cisco no olho de teu irmão, mas não percebes a viga que está no teu próprio olho? 4 E como podes dizer a teu irmão: Permite-me remover o cisco do teu olho, quando há uma viga no teu? 5 Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás ver com clareza para tirar o cisco do olho de teu irmão.

Mateus 7:1-5
Extraído da Bília King James Atualizada

Criticar a religiosidade alheia é algo complicado e delicado de se fazer, mas criticar para tirar de si a responsabilidade pelas atrocidades que seus sacerdotes perpetuam, ainda mais sendo quem o fez o líder da organização que mais perseguiu os pagãos em toda a história da humanidade. Isso não é apenas hipocrisia, é mais um crime e mais um desrespeito a todos os que pereceram ante ao “amor” divino que o Cristianismo deu aos Filhos dos Deuses enquanto os queimava, afogava, flagelava ou enquanto ainda nos ataca e nos ostraciza em nome desse mesmo conceito doentio.

Conseguimos finalmente nos ver livres o suficiente para cultuar nossos Deuses em paz, Papa Francisco. Não os compare com a mitologia da sua fé citando “sacrifícios de crianças” como se o Paganismo fosse uma só fé, e não um tronco religioso multicultural, multimilenar e de uma vastidão que o senhor jamais conseguiria entender sem dele fazer parte.

E já que estamos apontando falhas na crença alheia, lembro que o sacrifício era algo perfeitamente possível nos primórdios da sua fé,  e que até hoje se mata em nome do deus das religiões abraâmicas. Vocês são os principais responsáveis pela degradação do meio-ambiente com a sua máxima “crescei e multiplicai-vos” sem ter qualquer respeito ou cuidado com o planeta em que todos vivemos.

Então, senhor, leia as escrituras da sua fé antes de querer dividir conosco a culpa pela pedofilia praticada e acobertada pelos seus sacerdotes desde os primórdios da sua crença, que aliás é erigida sob a figura de Abraão, um patriarca incestuoso (pois Sara era sua meio-irmã) que deitou-se com outra mulher (e permissão da esposa não o inocenta de adultério), preteriu seu primogênito, Ismael, que não se poderia chamar de bastardo pois foi concebido com a escrava Agar sob as bênçãos e a anuência de Sara e, não menos importante, que sacrificaria o filho mais novo, Isaac, de bom grado se um anjo não lhe parasse o golpe da adaga.

 

Abraão no momento do sacrifício de seu filho Isaac para a sua divindade Abraão no momento do sacrifício de
seu filho Isaac para a sua divindade

 

Claro, a sua religião deve ter toda uma explicação que justifique isso tudo, e que sinceramente não nos interessa. Não temos a intenção de julgar a sua fé pois não entendemos seus meandros e nem pretendemos entender, enquanto povos da terra, a sua mística e mitologia. Atenha-se à sua própria religião e deixe-nos em paz. Nossos Deuses nada têm a ver com a divindade escura que vocês cultuam e rebaixam a “anjo caído” para enaltecer seu Deus enquanto rebaixam a santos os nossos Deuses ou Os demonizam para dar forma ao seu dito “inimigo”, que é a personificação perfeita dos atos “caridosos” do Cristianismo para conosco.

Não é nosso objetivo entender a sua fé ou tentar explicar qualquer das inúmeras correntes do Paganismo que sobreviveram à sua sanha persecutória. Nosso dever mútuo enquanto sacerdotes é respeitar um ao outro e todas as demais expressões da fé, como todos os humanos assim deveriam fazê-lo e como é responsabilidade de todos nós, sacerdotes, auxiliá-los. Entenda, entretanto, que o nosso respeito não significa que ficaremos calados enquanto somos comparados aos seus criminosos de batina ou que aceitaremos cordatos as suas ofensas de dessacralizações.

De nossa parte, e especialmente de minha parte, trabalhamos para curar as chagas que as suas demonstrações de “salvação” deixaram nos corpos e nas almas de nossos povos. Não tento sequer por um instante dizer-lhe que nos pretendemos perfeitos ou mesmo negar que nossos antepassados cometeram vários crimes no decorrer das histórias de cada ramificação e cada reflexo do que vocês chamam conjuntamente de Paganismo, mas além de não impingir-lhes culpa pelo que fizemos nós exigimos que nos respeite pois não temos a mínima intenção de continuar a ser o “bode expiatório” da sua incompetência sacerdotal e humana.

Cuide do seu rebanho e deixe os filhos da terra em paz, e que O Bom Deus – O Dadga – o abençoe e o torne digno do manto que veste.

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