Publicado por: Malhado | 17-05-2014

Agora é, talvez, nunca mais

Há anos eu digo que o fundamentalismo um dia baterá à nossa porta e nos fará correr ou morrer pelos nossos Deuses. Há anos eu alerto sobre o avanço preocupante de uma turba ignorante, ávida por milagres e ansiosa pela salvação e pela prosperidade prometidas por mercenários da fé que os enganam sem sequer precisar disfarçar seus esquemas ou seu intento em transformar nosso país numa teocracia capaz de engendrar a nossa própria versão do holocausto, onde morrerão os filhos dos Deuses enquanto aplaudem as ovelhas insanas, de olhos injetados e corações corrompidos pelos valores distorcidos que professam e pelo ódio que cultivam em seus corações.

Há anos eu aponto, aqui e ali, os sinais dessa onda de ódio que ameaça não apenas nossa fé e nossas famílias, nem apenas o conceito sagrado da diversidade que está presente em todas as correntes de religiões da terra, mas o nosso próprio direito à vida. Há anos alguns poucos concordam comigo, metade por educação ou amizade, talvez, mas a maioria apenas leu e esqueceu. Quem sabe até porque imaginar uma realidade tão devastadora em nosso futuro seja algo difícil demais de se lidar?

Quem sabe… e sinceramente? Queria eu estar errado.

Hoje em dia temos fundamentalistas trabalhando ativamente no legislativo para criar leis a fim de nos tirar direitos, e se isso já não é horrível o bastante para que as pessoas acordem logo, cai o judiciário ante à crença do ódio, e o momento de fazermos algo, que antes era o “agora“, pode talvez até mesmo ser o “nunca mais“. Estamos olhando o mundo afiar as armas e mirar nossas gargantas enquanto ou nos digladiamos em nome de “títulos” e “verdades” ou nos sentamos calmamente esperando que outros travem nossas próprias lutas. Vivemos acorrentados pela indolência ou pela egolatria ao invés de trabalharmos ativamente ao menos pelos nossos direitos.

Agora talvez seja nunca mais, mas enquanto o sangue pulsar em nossas veias, o agora é sempre o momento de nos unirmos contra qualquer intolerância que tente justificar, a qualquer prazo, a nossa opressão. Paremos de perder tempo e deixemos de ficar marinando em nossos próprios umbigos comodismos para não sermos servidos como banquete de sacrifício a fim de atrair mais e mais consumidores para uma indústria da fé vazia, intolerante, e que não tem nada em comum com os ensinamentos do livro em que se diz basear, porque quando a faca deles estiver amolada, nem a rede, nem a poltrona, nem o manto nem o conhecimento servirão de escudo para o ódio que verterá nosso sangue no solo que dizemos considerar sagrado.

Publicado por: Malhado | 14-04-2014

E quando você estiver além das nove ondas?

“Qual será teu papel quando a este mundo abandonar para chegar a uma nova vida? Espera se sentar entre sábios quando neste mundo foi reconhecido como tolo? Espera receber reconhecimento quando neste mundo só semeou discórdia? Espera ser celebrado quando neste mundo passou a ser ignorado por sua própria arrogância? Espera ser elevado apenas porque neste mundo acreditou ser maior do que outros? Tolos e sábios vão ao seu destino na nova vida, eruditos e ignorantes serão parte das tribos divinas. Mas aquele que fecha seus olhos à Tribo neste mundo pode ter sua posição seriamente invertida quando além das nove ondas, e aquele que eleva demais a própria voz pode estar deixando de escutar aos avisos do Outro Mundo”…

Wallace Cunobelinos

Foi com essa reflexão que o Wallace fechou um fim-de-semana onde refleti bastante acerca disso. Não cabe a mim desenvolver o tema agora, mas propor que você o faça, e esperar que ele possa nos brindar com um texto a esse respeito em breve!

Uma boa semana, e espero que você passe um tempo pensando no que quer se tornar não apenas quando você estiver além das nove ondas, mas a partir de agora.

Que os Deuses nos abençoem a todos!

Publicado por: Malhado | 24-02-2014

Feliz Dia da Memória Pagã!

As religiões da terra são também chamadas de “pagãs” por motivos os mais diversos, e destes o mais antigo que consegui encontrar foi o de que os soldados romanos entitulavam-se “soldados de Cristo” e chamavam as pessoas que viviam o “pagus” – que pode ser traduzido como campo, aldeia, vilarejo – de pagãos e a distorção do termo teria começado daí para chegar à definição completamente absurda que hoje é difundida de que pagão significaria “não cristão”. Pessoalmente, nunca gostei do termo, mas fui dono da comunidade Paganismo no Orkut e usei esse nome justamente para ressignificá-lo, a fim de que as pessoas aprendessem a reconhecer que nossas correntes religiosas nada têm haver (ou pelo menos não deveriam ter haver) com nenhuma fé que não seja uma religiosidade da terra.

Hoje lembrei-me disso ao ler uma postagem da Mayra Ní Brighid falando desta data comemorativa que eu não conhecia. Data criada na Europa para honrar heróis, heroínas e mártires das religiões da terra que sofreram e sofrem até hoje com a violência e a discriminação mundo afora. O dia escolhido faz parte do nosso calendário, o que no início achei muito estranho, uma vez que a grande maioria das nossas religiosidades afina-se não com datas, mas com os ciclos sazonais. Aí eu li o porquê:

No dia 24 de fevereiro do ano 391 e.c. o imperador romano Teodósio I
determinou que todos os templos pagãos fossem fechados,
seus ritos considerados ilegais, assim como visitar os templos.
Começou aí a parte institucionalizada da saga
persecutória
contra as religiões não advindas de Abraão.
Neste caso em específico, tudo o que não fosse o Cristianismo.

Achei a escolha dessa data fantástica! Um resgate da data e uma forma de nos lembrar do dia, onde tudo começou e que deu início às tensões que culminariam na extinção do fogo da Deusa romana Vesta em 394 e.c. e na futura perseguição aos Druidas após a proibição do nosso culto, assim como na vandalização de templos pagãos que até hoje existe no mundo inteiro e, no Brasil, tem como principais encorajadores as igrejas que nada carinhosamente chamo de “nazi-pentecostais“.

Mas esta data não deve servir para aguçar nosso ódio contra fanáticos e intolerantes. Nossas mentes e corações devem voltar-se para as pessoas que fizeram e fazem com que a voz dos Deuses continue a ser escutada pelos ouvidos, mentes e corações dos que precisam conhecê-Los. Hoje é dia de honrarmos quem trabalhou, viveu e morreu em nome de qualquer fé tida como “pagã”, bem como de olharmos nos olhos uns dos outros e ponderar acerca de qual é o nosso trabalho e como nossa vida pode pulsar para que, no futuro, a voz Deles continue viva. Há muito mais formas de trabalharmos do que as pessoas costumam imaginar.

Hoje acenderei uma vela, e o farei todos os anos nessa data até que minha chama se apague. Uma vela simples e branca, para lembrar-me dos que já se foram, sejam eles cantados nas lendas ou esquecidos pela história, fossem eles baluartes de sabedoria ou embusteiros que foram utilizados pelos Deuses enquanto julgavam utilizar-se das pessoas para seus próprios fins.

Hoje acenderei uma vela e pedirei por cada um deles, mas mais que isso: pedirei para que em breve eu possa fechar meus olhos e imaginar que a chama da minha pequena vela forma um céu de estrelas com a chama de cada filho da terra que honra seus antepassados e heróis, angariando força para que possamos, juntos, vencer o ódio que ainda arde em muitos de nós e utilizar essa energia para construir um mundo mais justo, onde sejamos respeitados e nos façamos respeitar.

E, no futuro, espero fechar os olhos e sentir o calor da chama e a luz da sua vela juntar-se a essa constelação!

Espiral de velas

Feliz Dia da Memória Pagã!

Publicado por: Malhado | 06-02-2014

Enquanto

“Enquanto formos coniventes com a mediocridade
Enquanto aplaudirmos ou endossarmos o que não é ético
Enquanto nos agarrarmos ao ódio e à incompreensão
Enquanto calarmos por ser mais fácil ou cômodo
É quando escolheremos continuar vivendo de forma medíocre.

Repense as suas atitudes enquanto elas estiverem se tornando âncora para você ou chibata para quem esteja à sua volta, pois quando você deixar esse processo chegar ao fim, pode ter se perdido de si de forma irremediável.”

Alexandre Malhado

Doodle - jogos olimpicos de inverno e a carta olimpica

Clique para ampliar

Hoje vi esta imagem a abrir o Google, e esse tipo de atitude, seja vinda de uma mega empresa ou de quem nunca vimos ou jamais reencontraremos, nos mostra que a mudança está nas nossas atitudes.

Repense-se, enquanto é tempo.

Publicado por: Malhado | 31-01-2014

Ciclos

“Não há galho sem tronco,
Não há tronco sem raiz,
Não há raiz sem a semente,
Não há semente sem o fruto,
Não há fruto sem a árvore.

Nosso futuro depende das lições
que aprendermos com o passado”

Alexandre Malhado

FELIZ LUGHNASADH!!!

Publicado por: Malhado | 20-01-2014

Atitude

Fale aos outros do que ama,
Aprenda com suas cicatrizes,
Cure as dores que te fazem mal.

Alexandre Malhado

Publicado por: Malhado | 18-11-2013

Conversa com árvores

As pessoas esqueceram como conversar com as árvores, mas não porque não as escutem mais ou não se importem mais com elas. É pior, pois elas não conseguem mais enxergá-las, e isso não é apenas por tê-las cortado e plantado concreto ou asfalto em seu lugar. Quando olham para onde uma árvore está enxergam apenas madeira, folhas e talvez um mural onde podem carvar seus nomes com um canivete ou um local onde um pássaro chato fez seu ninho para incomodar os humanos.

É mais grave pelo fato delas hoje tentarem se afastar o máximo possível de si em busca de dinheiro, luxo status e modelos de beleza e comportamento sobre os quais não refletem de onde surgiram ou qual o seu verdadeiro propósito, e fazendo isso construíram muros que as afastam cada vez mais do que esteja à sua volta. Ao invés de cultivar-se, ceifam suas essências e constroem fortalezas de plástico e ilusões nas quais passam a habitar.

E é muito mais grave pois não percebem que aquilo que veem como castelos são na verdade jaulas que as aprisionam e as afastam ainda mais umas das outras. Desta forma, enquanto celebram estarem mais conectadas aos outros e mais informadas sobre o mundo, elas não compreendem que já não enxergam ou conhecem mais esse mundo e que na verdade estão enxergando as ilusões que o outro mostra e as ilusões que elas se tornaram, e lentamente sufocam e murcham, sucumbindo às ilusões que criam para não ter o trabalho de cultivar a própria alma.

Elas não se escutam mais pois esqueceram como conversar e nem se importam mais consigo, não sabem mais falar a língua do próprio coração e não entendem quem são ou o que poderiam tornar-se, e ao invés de serem belas árvores são agora mausoléus distorcidos de materiais tóxicos, fincados num deserto que sequer sabem que existe.
Não sabem mais conversar com as árvores, nem com o rio, nem com a rocha ou o vento pois estão preocupadas demais em escutar algo que não está nelas mesmas, mas fora, e estão espiritualmente cegas para o que o mundo realmente é.

Para o pequeno Artur que ainda
conversa com as árvores e que
existe dentro de cada um de nós!

Publicado por: Malhado | 12-08-2013

Que os Deuses te concedam

Queiram os Deuses te conceder
Um motivo a mais para sorrir,
Um momento a mais para brilhar,
Um sentimento mais nobre com o que pulsar,
E uma jornada mais rica em realizações!

Alexandre Malhado

Bênção em reconhecimento e agradecimento às lembranças e votos de aniversário que recebi hoje.

Publicado por: Malhado | 08-06-2013

A ausência e a incoerência dos teus atos

“Enquanto você se indignar e não for atrás do que acha correto, enquanto você continuar a olhar para o absurdo acreditando na sua impotência sem se levantar para mudar o seu destino, ou enquanto você usar qualquer um desses argumentos para impor o seu estilo de vida a quem não pense do mesmo jeito que você, estaremos todos rumando para o abismo da discórdia, da miséria, da intolerância e do caos”.

Alexandre Malhado

Publicado por: Malhado | 07-05-2013

Rito de apresentação e algumas atualizações

Recentemente, algumas de nossas páginas foram atualizadas com informações novas e/ou corrigidas, graças às dúvidas que temos recebido e à inspiração que delas advém. Nossos agradecimentos a todos os que têm colaborado!

Perguntas Frequentes
Atualizamos algumas respostas e incluimos outras. Sempre que uma nova dúvida nos chegar, atualizaremos essa área então, sempre que quiser ou puder, pergunte!

Etiqueta para Celebrações
Estamos alterando essa página constantemente e com certeza ela está longe de sua forma final. Mais conselhos são adicionados sempre que consigo imaginar uma situação diferente.

Menu Superior
Alteramos o os menus para melhor atender ao site e facilitar pesquisas. Então, se clicar em algum link de uma página nossa pela Internet e ela não aparecer, procure-a no menu superior pois ela deve ter mudado de lugar.

Rito de Apresentação
E, finalmente, tive tempo para atender um pedido de muitas pessoas que me contatam: a criação de um rito de apresentação para aqueles que precisem desse rito de passagem ao decidirem por seguir seus caminhos como druidistas. É uma sugestão de um rito simples e bastante significativo, com links para alguns textos e áreas do site que acho importante estudar antes de o fazer e conselhos acerca de como vivenciar o Druidismo. Espero que gostem!

Rito de Apresentação

Publicado por: Malhado | 26-04-2013

7º Dia Druídico – Espaços Sagrados

Um espaço sagrado serve de ponto de conexão entre alguém e o que essa pessoa considere divino, e em nome dessa relação obras impressionantes são erigidas até hoje enquanto outras, como Stonehenge, foram absorvidas ou “herdadas” quando uma civilização conquistou ou sucedeu uma outra. Mas não é nem de estruturas imensas usadas em grandes rituais nem de arquitetura antiga, e muito menos da pompa da qual esses locais são imbuídos, que desejo falar hoje. Falemos sobre os espaços sagrados que podemos criar e manter em nossas vidas de forma tão natural e simples que eles nos remetam não às maravilhas do Outro Mundo ou às histórias que contam da grandiosidade dos Deuses, mas à serenidade que podemos vislumbrar no íntimo de nossas almas e do contato mais genuíno que podemos travar com Eles. Afinal, tudo começa em nós.

Seu lugar predileto, seja ele em sua casa ou na vizinhança, é um local no qual você poderá se recuperar de desgastes do dia a dia e buscar momentos de paz e crescimento interior. Esse pequeno oásis pessoal não é, entretanto, uma “trincheira” pela qual você deva lutar ou um espaço cuja existência seja motivo de estresse, nem tampouco precisa ser algo intocável ou onde ninguém possa estar. Isso se aplica especialmente se você não é o seu dono, uma vez que muitos moram com os pais ou com colegas, mas principalmente se você pretende aprender o valor de beneficiar-se da troca energética que as pessoas podem trazer à sua vida.

O primeiro passo para entender isso é saber que a energia ali não é apenas sua e das pessoas que ali estiverem, mas também dos Deuses, dos espíritos que morem em volta, das fadas e de uma gama de energias que você receber em seu pequeno santuário. Uma outra coisa interessante é que ninguém precisa saber que o seu local sagrado é especial. Isso é entre você e os Deuses, e tem haver principalmente com o seu conforto e com o tipo de atividade que você faz nele. Mas esteja sempre vigilante para não transformá-lo numa alegoria carnavalesca, e mantenha-o o mais simples possível, até para não atrair atenção demais de quem você não deseje, e tomando muito cuidado para não cultivar a indolência e a preguiça ali, pois se essas energias já são ruins sem trabalharmos em prol delas, imagine criar um bolsão impregnado das mesmas? O que seria um espaço para te tornar mais forte serviria então para te deixar doente, e não para encontrar com os Deuses ou conhecer-se no processo.

Pense simples, e não seja egoísta.

Aqui vão algumas sugestões para montar seu canto sem chamar a atenção:

  • Sua cadeira predileta onde você goste de se sentar para relaxar um pouco, ler ou refletir. Um bom exemplo disso são as cadeiras do casal de velhinhos do filme “Up – Altas Aventuras” (Pixar, 2009);

    Up-Cadeiras

    O casal de “Up” em suas cadeiras, onde curtiam um ao outro e suas leituras.

  • Um canto do jardim cercado de plantas e decoração significativos para você, ou sob a sombra de uma árvore. Isso pode existir também numa praça ou parque perto da sua casa, mas nunca é demais lembrar que vivemos num mundo cada vez mais perigoso, então tenha um cuidado mais que redobrado se seu espaço sagrado não estiver em seu lar;

    Benefits of Spiral Herb Garden Design

    Um jardim em espiral, um adorno fácil de fazer em qualquer quintal.

  • Um cantinho com uma pequena fogueira, onde você receba do fogo a purificação para a sua alma e ainda possa conversas com amigos quando tiver a oportunidade.

    Garden Firepit

    Uma fogueira cercada por um banco de pedra e plantas.

  • Um banco de praça onde possa ler ou simplesmente observar o mundo à sua volta, lembrando que tudo e todos fazem parte da mesma teia que você, independente de classe, credo, cor ou qualquer ilusão de diferença que apresentem. Você também pode colocar um desses na sacada do seu apartamento, pois  fica ótimo pra criar ambiente, como fizemos aqui.

    2013-02-20 05.21.54

    Um banco de praça, um jardim de ervas e a mesa com um espaço onde um altar pode ser montado. Ainda não montamos esse aí.

Um espaço sagrado é seu mesmo que não lhe pertença, pois não é uma questão de posse, mas de comunhão. Conviva com ele tornando-o um ponto no universo onde as pessoas que por ele passem sejam abençoadas e tenham seus cansaços e dores transmutados em energia renovada. E o mesmo deve acontecer com você. Transforme toda energia estagnada ou ruim em algo positivo, utilizando as técnicas que ache mais adequadas à sua prática e seu jeito de ser, sempre respeitando as pessoas que tenham direitos àquele lugar.

E se ele um dia for depredado, desfeito ou qualquer coisa do tipo, não surte. A mudança é a única certeza dentro do Druidismo, pois nem a morte é fim, apenas passagem. A energia que você colocou ali e que te fez tão bem, peça aos Deuses que depositem no próximo local sagrado que criar, e nunca se esqueça de que o mais importante espaço que você deve considerar sagrado é, na verdade, seu próprio corpo. Cuide de si, pois é de você que emanará a energia dos Deuses e dos seus antepassados, para comungar com a natureza como ela se apresente nesse momento.

E que, enfim, haja paz.

Publicado por: Malhado | 25-04-2013

O Inimigo

“Eu nunca abaixo a guarda
contra o meu pior inimigo:
Eu mesmo”.

Alexandre Malhado

Publicado por: Malhado | 16-04-2013

Agradeça

por Cecília Gealaí

Você já agradeceu por algo hoje? Não digo aquele obrigado sem vontade pra mocinha da padaria, mas agradecer por você ter tido um bom dia, por ter feito algo que você adora ou por ter feito alguém sorrir.

Ser grato é um hábito que modifica as pessoas e que deve ser cultivado com carinho. Exercitar a gratidão é focar no que temos hoje e não no que deveríamos ou gostaríamos de ter. É muito fácil esquecer pelo que somos gratos na correria da rotina, no medo de parecer esnobe ou na inveja alheia, no aguardar que as coisas fiquem perfeitas ou no voltar toda nossa atenção para os problemas e o que nos falta ao invés de prestar atenção no que já conquistamos ou em todo o caminho que já percorremos.

Exercitando a gratidão

Há algum tempo atrás, lendo artigos sobre produtividade (sentiu a mudança de assunto?) li um que falava de cultivar o hábito de escrever todos os dias em um caderninho três coisas que aconteceram e pelas quais você gostaria de agradecer naquele dia. Um dia resolvi testar o método e ver o que acontecia, depois de uma semana fiquei surpresa com o resultado e já tinha levado o exercício a um novo patamar. Vou sugeri-lo e peço que você o teste e chegue a suas próprias conclusões.

Escolha um caderno pequeno (pode ser até uma agenda ou arquivo de texto, mas eu gosto do caderno e do ato de escrever a mão). Ao final do dia pare por alguns minutos para revê-lo e pensar sobre o que aconteceu de bom e pelas quais você é grato, faça disso uma oração, converse com os Deuses e agradeça de coração. Escreva as 3 coisas do dia no caderno e pronto!

Isso não leva mais que 5 minutos e, sim, muda sua atitude mental na hora. Talvez não no primeiro dia, mas depois de alguns dias com certeza. Depois de um mês, você já lembra das graças ao longo do dia e chega em casa procurando seu caderno. Depois desse tempo você já passa a prestar mais atenção às coisas boas, mesmo pequenas, passa a sorrir mais e a agradecer mais pelas pequenas bênçãos ao longo do dia.

Uma pessoa já me perguntou: “mas o que eu vou escrever? Nada de bom acontece comigo.” Tem certeza? Comece com coisas pequenas: aquela chuva linda que caiu e refrescou o calorão, um sorvete gostoso de sobremesa, a passagem que você deu para outro carro e o motorista agradeceu, o sorriso que você recebeu do porteiro logo cedo quando passou e deu aquele bom dia sincero.

Você vai dizer que sua vida é cheia de problemas e que você vive super estressado? Então eu te digo, todo mundo tem problemas. Alguns grandes, a maioria pequenos e irritantes, todos estão lá. Esse exercício não tem o objetivo de menosprezar os problemas ou colocar óculos cor-de-rosa e fingir que sua vida é perfeita, mas valorizar as coisas boas que acontecem na vida de todos, diariamente. Com esse enfoque fica até mais fácil lidar com todos o estresse e problemas presentes no cotidiano. Uma pessoa sábia um dia me disse: “quando você ficar muito nervoso com algo pense assim: que importância isso vai ter na minha vida daqui um ano?” Talvez tenha importância sim e mereça seu tempo e alguma resolução, mas na maioria das vezes, não tem importância nenhuma.

Uma dica: deixe o caderno em local visível e que você sempre passe, como a mesa do computador a mesinha de cabeceira ou no seu altar. Assim você não corre o risco de se esquecer de escrever.

E então, pelo que você é grato hoje?

Older Posts »

Categorias

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 336 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: